Robatização e automação dos processos industriais e das telecomunicações, inteligência artificial, internet das coisas e tantas outras tecnologias que compõem a Quarta Revolução Industrial e suas consequências no mercado de trabalho, como a substituição de máquinas para desempenhar tarefas antes feitas por humanos, foi um dos temas abordados no Seminário Internacional Preparatório para o Fórum Social Mundial 2018, realizado nos dias 17 e 18 de outubro, no Campus da Universidade Federal da Bahia, em Salvador.

Entre os palestres, Anselmo Santos, diretor do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho – CESIT da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP); Nivaldo Santana, secretário de Relações internacionais, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB); Inalba Fontenelle, secretária de Formação da CTB, a secretária de Mulheres da CUT Bahia, Lucíola Semião e do dirigente sindical do Marrocos, Abdelkader Zraih. A mesa foi mediada por Rogério Pantoja da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Aurino Pedreira da CTB.

Para Anselmo Santos, a confluência entre o capitalismo perverso e as mudanças que as novas tecnologias impõem ao mercado de trabalho mudam drasticamente as relações de trabalho em todo o mundo. “Essas novas tecnologias que estão em curso, nos leva a ter uma grande preocupação sobre os impactos no mundo do trabalho, nas novas formas de trabalho que vão surgir, as novas possibilidades de organização dos trabalhadores, os impactos sobre o desemprego e a precarização do trabalho”.

Santos destacou que a tecnologia é necessária e estará em constante evolução, mas deve ser usada para melhorar positivamente a vida da humanidade, não para enriquecer poucas pessoas que lucram com o capitalismo. “Só teríamos alguma chance de melhorar a vida dos trabalhadores no mundo ou regulando e controlando o capitalismo pra que a produção sirva às pessoas, não a valorização do capital, ou superando esse sistema capitalista”.

O sindicalista Nivaldo Santana falou sobre a importância do tema para a agenda mundial de debate sobre o trabalho. Segundo ele, duas questões são essenciais. A primeira defende o investimento no desenvolvimento científico e tecnológico no Brasil. E a segunda, é de que a Quarta Revolução Industrial e seus avanços tecnológicos devem confluir para o desenvolvimento econômico e social da humanidade e não para a manutenção do capitalismo.

“As pessoas não nasceram só para trabalhar, precisam de cultura, de saúde, educação, lazer. Precisam usufruir de uma dimensão superior da vida e das relações humanas. E o trabalho progressivamente vai ser a parte minoritária na existência humana com todos esses avanços tecnológicos nós vamos poder viver mais e melhor com outro tipo de conformação social”, afirmou Santana.

A participação das mulheres nesse processo teve destaque pela ocupação dos espaços dentro do movimento sindical, com o objetivo de participar ativamente da luta pela igualdade de gêneros, igualdade salarial e principalmente pelo reconhecimento das mulheres no mercado de trabalho.

Para a secretária de Mulheres da CUT Bahia, Lucíola Semião, apesar do avanço dos últimos anos, as mulheres precisam ocupar espaços de decisão e representatividade dentro do movimento sindical. “Existe uma distância da mulher no movimento sindical. Antigamente era dito que as mulheres cuidavam do lar, dos filhos. Fomos para o mundo do trabalho e adentraram ao movimento sindical e continuamos fazendo praticamente as mesmas coisas. Por quê? Estamos nos espaços como secretaria de formação, secretaria de saúde, secretaria da mulher, secretaria de juventude. Nós temos potencial. Nós sabemos que podemos também estar nos espaços de decisão como uma secretaria geral, uma tesouraria, na presidência”, pontuou.

Já Inalba Fontenelle, da CTB, ressaltou a importância do papel da mulher nas atividades sindicais e na luta social. “Nessa questão do mundo sindical, buscamos que as mulheres, primeiro consigam se autoafirmar dentro das suas representações, dentro do seu movimento sindical. Mas, além de tudo, que nós possamos ajudar as lutas das mulheres pela emancipação de toda sociedade”.

O debate sobre o mundo do trabalho, suas mudanças, desafios e lutas serão realizados no Fórum Social Mundial 2018, entre os dias 13 e 17 de março, em Salvador.

Assista na íntegra a mesa “A Quarta Revolução Industrial e a Precarização do Trabalho

Glenda Lima

Comunicação Compartilhada do FSM 2018

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