Câmera durante coletiva de imprensa. Foto: Dêja Chagas

Cinco dias intensos, 19 eixos temáticos, 100 caravanas, 1,2 mil voluntários(as), 2,1 mil atividades, 6 mil organizações e movimentos da sociedade civil e 80 mil pessoas, que fizeram da 13ª edição do Fórum Social Mundial 2018 (FSM), um espaço de troca de experiências, debates, protestos, encontros e reencontros, entre os dias 13 e 17 de março, em Salvador.

Com um público diversificado, as mulheres, as (os) jovens, a população negra, os povos de religião de matriz africana, os povos indígenas, o público LGBTQI+, artistas, portadores com deficiência, pescadores (as), movimentos hip hop, tiveram destaque. Se uniram também 1,2 mil voluntárias (os), que atuaram, sob a condução do Grupo Facilitador do FSM e da UFBA para atender aos participantes nos dias do Fórum.

O FSM reuniu mais de 6 mil participantes estrangeiros, dos cinco continentes, de 120 países. A América Latina (AL) encabeça o ranking, com 3,8 mil pessoas vindas de países vizinhos do Brasil. Em seguida vem a África, com 1 mil participantes. Da Europa, 600 pessoas participaram das atividades, e 450 participantes são originários da América do Norte. As maiores delegações fora da AL, incluem Marrocos, Alemanha, França e Canadá.

O Território Social Mundial

Cerca de setenta lugares em Salvador e região metropolitana compuseram o “Território do FSM”, com a realização de atividades inscritas na programação. Podem ser destacados dentre eles os principais:

Campus Ondina da UFBA (o principal, onde ocorreu a maioria das atividades);

Acampamento Intercontinental da Juventude, com 2 mil pessoas acampadas, no Parque de Exposições, com uma programação cultural e política própria;

Campus Cabula da UNEB (que abrigou principalmente o encontro de lideranças de religiões de matriz africana, com mais de 400 representantes presentes);

Território de Itapuã, com programação própria (política e cultural) durante todo evento e término com uma Virada Cultural, na noite de 17/03;

Acampamento Indígena, no Centro Administrativo da Bahia (CAB), com 600 pessoas acampadas, de 26 etnias indígenas estiveram presentes no FSM 2018, sendo 20 da Bahia, (dos 22 existentes no estado), assim como representantes de povos indígenas panamazônicos, do Brasil e da Colômbia, como também do Canadá;

Além do Subúrbio Ferrooviário, Ilha da Maré e Parque São Bartolomeu também realizaram atividades.

Em termos de hospedagem, além dos acampamentos, indígena e da juventude, cerca de 1,2 mil pessoas vindas principalmente de caravanas de todo Brasil foram acolhidas em escolas, centros de formação ou por organizações, hospedagem solidária e na casa de amigas/os na capital baiana.

Segundo dados da Federação Baiana de Hospedagem e Alimentação (FEBHA), a capacidade de leitos na rede hoteleira é de 39 mil, e esteve 84% ocupada no período do FSM 2018. O presidente da FEBHA, Silvio Pessoa, afirma que: “(…) Nos últimos 30 anos, a gente não tinha visto isso. (…) A cidade esteve bastante movimentada, o comércio e todos os setores que interagem com o turismo agradecem ao Fórum Social Mundial”[1].

Atividades no FSM 2018

Das 2,1 mil atividades inscritas, 2 mil foram realizadas, em 19 eixos temáticos. Entre os temas com maior número de atividades inscritas e realizadas estão: Desenvolvimento, Justiça Social e Ambiental” e “Direitos Humanos”, além dos relacionados com as questões raciais como, “Vidas Negras importam” e “Um mundo sem racismo, xenofobia e intolerância”.

Ecoaram também no FSM 2018, as vozes das mulheres e dos feminismos, das juventudes, dos movimentos em defesa da democracia, dos povos tradicionais (indígenas e de matriz africana), dos movimentos negros e de enfrentamento ao racismo, dos movimentos ambientalistas, do segmento LGBTQI+, da economia solidária, das pessoas com deficiência, das/dos artistas, entre outros.

Dentre as atividades, podem ser destacadas:

Marcha de Abertura, no dia 13 de março, com 60 mil pessoas;
Assembleia Mundial em Defesa da Democracia no Estádio de Pituaçu, no dia 15 de março, com público estimado de 18 mil pessoas. O evento reuniu lideranças de movimentos sociais do Brasil e do mundo, e políticos de destaque, a exemplo dos ex-presidentes Luís Ignácio Lula da Silva e Manuel Zellaya (Honduras);
Assembleia Mundial das Mulheres, nomeada “Marielle Franco”, que ocorreu na manhã do dia 16, no Terreiro de Jesus (Pelourinho), e contou com a participação de 8 mil pessoas, em sua maioria mulheres. Entre elas a “Madre da Plaza de Mayo, Nora Cortinãs; Eda Duzgun, liderança das mulheres curdas;
Economia solidária: feira, alimentação, água potável gratuita, seis moedas solidárias utilizadas no FSM 2018;
Forinho para crianças no ISBA (Ondina) durante todo período do FSM;
O Ato Rumo ao Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA), realizado no dia 16;
A Ágora dos Futuros, na manhã do dia 17/03, na Praça das Artes, no campus da UFBA em Ondina, onde foram expostos os resultados das atividades, principalmente de convergência, pelas organizações proponentes.

Grandes atividades, atos públicos e convergências também ocorreram, a exemplo de:

Ato em defesa da Universidade Pública;
Marcha contra o Racismo e a Intolerância Religiosa;
Marcha em homenagem à Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro assassinada que iria participar do FSM 2018;
Marcha das Mulheres Negras;
Convergência Educação, Cultura e Direitos Humanos;
Convergência: Cultura e Revolução;
Colóquio Brasil: estado de exceção;
Assembleia Mundial dos Povos Indígenas;
Tribunal do Feminicídios das Mulheres Negras;
Tribunal dos Despejos;
Diálogo Internacional, Convergência de Lutas : África e sua Diáspora no Século XXI;
Assembleia Mundial das Juventudes;
Convergência: Convenção Internacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência – Avanços e Desafios;
Assembleia das mulheres do Hip Hop;
Convergência Cultura de Resistências e Direitos Humanos;
Convergência: Vidas Negras Importam;
Convergência Revolução e Culturas de resistência;

Plenária do Fórum Social Mundial de Migrações (FSMM);

Plenária do Fórum Social  do Panamazônico (FOSPA);

Panorama dos Direitos Humanos na América Latina: Intervenção militar em foco;
A Universidade e a Educação no contexto da Resistência Democrática;
Convergência e Diálogos no Cenário Socioambiental;
Convergência/Debate – Justiça Climática e Água, Soberania do Povo;
Lutando contra a militarização da vida: da América Latina à Palestina;
Homenagem às mulheres do FSM;
Presença e participação de um Rei e uma Rainha do Benin e de um Rei do Níger, e encontro com povos tradicionais de matriz africana;
Visitas à comunidade quilombola Rio dos Macacos e à Ilha de Maré;

Também devem ser citados os eventos internacionais realizados dentro do FSM 2018:

Fórum Mundial de Mídia Livre
Fórum Mundial de Direitos Humanos
Fórum Mundial de Saúde e Seguridade Social
Fórum Mundial de Teologia e Libertação
Fórum Mundial de Educação Popular
Conselho de Educação de Adultos da América Latina
Fórum Ciência e Democracia
Fórum Mundial Parlamentar
Fórum de Autoridades Locais de Periferia
Diálogos em Humanidade
Encontro internacional Novos Paradigmas

Segurança e Saúde

Durante o FSM 2018, não houve nenhum ato de violência física. Dois casos de furto foram informados ao gupo facilitador do Fórum. Sendo um ocorrido à noite, com participantes estrangeiros fora dos perímetros dos territórios do FSM. Enquanto o segundo, aconteceu durante a Assembleia Mundial das Mulheres.

Alguns confrontos verbais também ocorreram durante o FSM 2018, mas de forma isolada, como no caso das defensoras da causa independentista do Saara Ocidental frente a sindicalistas nacionalistas marroquinas. A outra intercorrência se deu por um partido político que se recusou a retirar sua bandeira em uma atividade do FSM. De forma geral, um clima de paz, valorização das diferenças e respeito mútuo reinou durante o FSM 2018.

Uma média de 180 atendimentos médicos foram realizados nos postos instalados nos principais territórios do FSM 2018. Nenhum grave. Apenas deve ser ressaltado que um ativista militante de Marrocos teve uma crise cardíaca no hotel em que estava hospedado. O ativista foi socorrido pela Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), internado e operado em um hospital público de Salvador, onde está sendo acompanhado. Encontra-se em um estado grave mas está melhorando. Sua esposa está em Salvador e recebe o apoio do escritório e de membros do Grupo Facilitador.

Apoios recebidos para realização do FSM 2018:

– UFBA – Universidade Federal do Estado da Bahia
– Governo do Estado da Bahia
– UNEB – Universidade do Estado da Bahia
– Prefeitura de Salvador
– Câmara Municipal de Salvador
– Organização Pão Para o Mundo (Alemanha)
– CESE- Coordenadoria Ecumênica de Serviços
– USE Telecom
– Embasa
– TV Kirimurê
– TVE
– Secretaria do Conselho Internacional do FSM

Organizações do Grupo Facilitador do FSM 2018:
– Vida Brasil
– Abong
– CUT-Brasil
– CTB
– Unisol
– Filhos do Mundo
– TV Kirimurê
– CONEN
– CIRANDA / FMML
– Secretaria do Conselho Internacional do FSM
– UNEGRO
– UBM
– Rede Mulher e Mídia
– UNE
– FONSANPOTMA
– CEN
– Cebrapaz
– Cáritas Brasileira
– Clacso
– CONAM
– Conselho de Entidades Sócio Ambientalista da Bahia (COESA)
– Fórum Nacional de Democratização da Comunicação (FNDC)
– Fórum Baiano de Economia Solidária (FBES)
– Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional de Povos Tradicionais de Matriz Africana (Fonsanpotma)
– Geledés
– Instituto Paulo Freire /CEAAL
– Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH).

[1] Hotéis em Salvador tiveram 84% de ocupação no Fórum Social Mundial, Tribuna da Bahia, p.8, 19/03/2018

Documento distribuído durante a Coletiva de Imprensa do Grupo Facilitador do FSM, em 23 de março de 2018

2 Comentários
  1. Saudações Tradicionais.
    Nós DA DIRETORIA do instituto Àwúre entidade participante de todas as atividades e do Comitê facilitador/coletivo brasileiro repudiamos a não divulgação do nome do IAIC – Instituto Àwúre de Incentivo Cultural Afro Brasileiro, NESTA PUBLICAÇÃO.
    ISSO É VERGONHOSO,

  2. Saudações Tradicionais!
    A Diretoria do Instituto Àwúre Entidade que participante do Comitê Facilitador / Coletivo Brasileiro repudiamos essa publicação que não tem o nome do IAIC – Instituto Àwúre de Incentivo Cultural Afro Brasileiro, NESTA Publicação.
    ISSO VERGONHOSO, solicitamos urgentemente a inclusão.

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