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Título *Marcha, porque Marchamos? Marchamos Contra o Racismo!

Tema - Território

Lema Um Mundo sem Racismo, Intolerância e Xenofobia

Descrição / Relato

O movimento tático e a estratégia na encruzilhada da Marcha contra o racismo, em Salvador, no Fórum Social Mundial, em março de 2018
Por Fausto Antonio
Professor da UNILAB, escritor e militante negro antirracismo
A marcha contra o racismo, em Salvador, no mês de março de 2018, no Fórum Social Mundial, traz à tona antigos e novos significados. Os antigos significados relevam as peças discursivas contra o racismo e de denúncia contra a violência policial e do genocídio, especialmente contra jovens negros. Os novos significados, na medida em que a marcha é um artefato político, negritam o papel tático e estratégico das mobilizações, da Marcha contra o racismo e de todas as demais possibilidades que aí se encruzilham.
O papel tático anunciado acima tem a sua enunciação na constituição de uma Frente Nacional Antirracismo; o estratégico, por sua vez, tem amarras nas profundas transformações estruturais e institucionais consideradas a partir da centralidade da superação das desigualdades raciais.
É por força dessas duas posições, a tática, a conjuntural, e a estratégica; de longa duração, que se complementam, que devemos também nos posicionar e derrotar o golpe branco em curso no país. O golpe branco, com amarras dadas pela orientação financeira, econômica, jurídica, comunicacional, parlamentar, representacional e de repressão racistas, exigem a ação, a organização e a intervenção dos movimentos negros e antirracismo. Sendo assim, a estratégia da luta contra o racismo demanda igualmente a nossa mobilização contra o golpe branco, que é produção também, conforme nos revelam as estruturas e instituições nacionais, do sistema racista à brasileira.
A força dos lugares e a comunhão do lugar e do global em Salvador
Podemos afirmar que temos negros (as) e militantes antirracismo organizados em todos os espaços políticos, culturais, artísticos, comunitários, religiosos e iniciáticos da sociedade brasileira. Há, por exemplo, uma extraordinária força e capilaridade na ação fragmentada das intervenções antirracismo no Dia Nacional da Consciência Negra e na aplicação da Lei 10.639/2003.
De outro modo, podemos afirmar que temos negros (as) e militantes antirracismo organizados nos partidos, sindicatos, movimento sindical, movimentos sociais, universidades e redes de ensino, entre outros espaços, alterando as suas formulações e ampliando a luta por hegemonia antirracismo nos espaços gerais dos partidos, sindicatos, movimentos sindicais, movimentos sociais, universidades e redes de ensino.
É a partir desse estágio que queremos, na organização e na Marcha, os militantes antirracismo. O método implica no aproveitamento conceitual e material da fragmentação e das localidades. A força dos lugares e a comunhão do lugar e do global, em Salvador, por ocasião do Fórum Social Mundial, darão materialidade para a Frente Antirracismo e para a luta contra o racismo na conjuntura e nas formulações para mudar a estrutura da sociedade brasileira.
A marcha em si, artefato de mobilização e de confronto tático-conjuntural, não promove as alterações estruturais de que necessitamos para a superação do racismo, ela é instrumento e/ou meio para a construção de um reposicionamento nacional da militância negra e antirracismo. Em outros termos, a organização e a realização da Marcha contra o racismo é um brado das ruas e de unidade contra o genocídio de jovens negros, o golpe branco em curso no Brasil e todas as ordens (ou desordens) do racismo à brasileira.
A Marcha, relevando a conjuntura, isto é, o posicionamento tático, a estratégia, ou seja, as mudanças estruturais e a sua base empírica dado pelo golpe branco, tem novos significados e exige, na mesma medida dada pela conjuntura e estratégia, posições políticas de massa e mais ousadas.
A Marcha contra o racismo é, dentro desses limites, um artefato étnico-racial e/ou social, um instrumento dinâmico para a luta política. Artefato que se renova nas táticas, nas alianças, nas intervenções e principalmente nas estratégias concernentes à superação das desigualdades raciais.
Sendo um artefato, não há donos e, a exemplo da luta para superar o racismo, a Marcha não é instrumento político ou problema apenas para os negros. É instrumento antirracismo para superar as desigualdades raciais, que têm no seu centro como alvo negros (as) e índios (as) e, como produtores e beneficiários, as elites brancas brasileiras.
Por conta de ser instrumento nosso e problema nosso a superação do racismo à brasileira, a luta deve ser demandada também pelo antirracismo, que é instrumento para concretizar uma perspectiva hegemonizada por negros e negras.
A Marcha é momento para os movimentos negros e antirracismo apresentarem o seu projeto para a sociedade brasileira e, na mesma medida, para a superação das desigualdades raciais. Negros, negras e militantes antirracismo não devem se limitar à participação nas mobilizações realizadas antes e no transcorrer da Marcha. O ato, a realização da Marcha, no mês de março de 2018, é momento histórico para a Frente Antirracismo Nacional apresentar as mudanças concernentes à superação das desigualdades raciais, divulgar as políticas específicas sugeridas ou elaboradas para a educação, a aplicação da Lei 10.639, contra a violência policial e outras para economia, finanças, saúde, cultura, emprego e renda e cooperação e relação internacional com os países africanos e com os negros nas diásporas, etc., etc.
O Marcha é, ainda como artefato étnico-racial e/ou social, vital na interlocução com os partidos políticos, movimentos sindicais e movimentos sociais de diferentes matizes à esquerda. Não há evento sem ator, atriz, sem sujeito e sem autoria. A participação dos movimentos negros e antirracismo supõe uma intervenção além da simples adesão à mobilização.
O que dá sentido à participação do movimento negro e antirracismo não é apenas o ato, as manifestações contra o racismo, mas a intervenção organizada considerando a imbricação, a encruzilhada para utilizar um conceito da diáspora negra, da Marcha contra o racismo, nos seus múltiplos significados, com os processos políticos municipais, estaduais e nacional e com potência política para mudar as estruturas e instituições racistas. O que é importante na Marcha é a sua trama; e nela a efetiva possibilidade de os movimentos negros e antirracismo mostrarem sua verdadeira intenção política na mudança estrutural e conjuntural, que se complementam e se materializam na estrutura e supremacia racial branca e racista.
A Marcha não é uma aparição isolada, ele se produz conjuntamente na unidade superior de um todo. Tem uma dimensão local e nacional na mesma tessitura. Nessa dimensão, no que toca ao local, temos as vozes dos Movimentos Negros, de negros (as), de militantes antirracismo organizados a partir de múltiplas instâncias sociais, comunitárias, culturais, religiosas, artísticas, etc. Os dois níveis, o local e o global (ou nacional), são cruciais para o fortalecimento de uma intervenção que chegue aos polos estruturais, conjunturais e epistemológicos.
A Marcha, na medida que se estrutura a partir do local, da comunicação com o próximo, e do nacional encruzilhado com o local, apresenta as possibilidades a serem realizadas nos lugares e no plano nacional, no global. Trata-se de um amálgama de situações, que ganha um novo conteúdo histórico com a construção e a efetiva participação de um movimento de massa hegemonizado pelo antirracismo ou pela luta pela superação das desigualdades raciais. É por isso que queremos, na encruzilhada do ato, e como produto ao mesmo tempo da realidade local, Salvador – BA, e nacional e/ou do racismo estrutural, produzir a formulação de uma carta endereçada ao povo negro e brasileiro, ao Estado, às instituições internacionais, denunciado o racismo e apresentando um projeto de sociedade sem racismo e assentado nas epistemologias e cosmovisão negras. A Marcha contra o racismo pode ter a duração de um evento, se realizar no plano tão-somente da mobilização e ter pouco significado político e filosófico, mas pode também ser o retrato do presente, isto é, pode ter valor organizacional, político e filosófico firmado na ancestralidade para os Movimentos Negros e Antirracismo, para a derrocada do golpe branco e mais ainda para o processo de acúmulo para a superação do racismo estrutural, institucional e epistêmico.

Data/hora
Date(s) - 14/03/2018
13:00 - 19:00 .

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